THE PIG FUCKING MOVIE


The pig fucking movie - Imdb

Também Conhecido como:
One Man and his Pig
Wedding Trough
Vase de noces

Direção: Thierry Zéno
Bélgica, 1974, 80 min, pb



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NÃO PRECISA DE LEGENDAS!



Texto via zombies e afins

O filme mostra a relação de um fazendeiro louco que se apaixona por uma porca. Um dos mais bizarros e extremos filmes que já assisti. Com certeza não é pra qualquer um. A história é arrastada, mostrando diversas cenas de sexo entre frangos e perus, além dos bichos apenas passeando pela fazenda. Mas o plot central é a relação entre o fazendeiro e sua porca. 
Pra se ter uma ideia da demência do indivíduo, ele tenta colocar cabeças de bonecas, no começo do filme, em pombas. Além de guardar dentro de potes, aos quais coleciona, cabeça de galinhas a qual abate para fazer suas refeições, junto com outras merdas que não dá pra definir. 






Como ninguém vai assistir e se assistir é só pra ver as cenas chocantes, vai toda a história: o tal do fazendeiro mora sozinho numa fazenda e se apaixona pela sua porquinha. Tem relação sexual com o suíno e deste "amor", nascem três porquinhos mutantes. A felicidade do fazendeiro é visível. Ele leva os porquinhos para todos os lugares, tricota roupas pra ele e faz de tudo para eles gostarem do pai. Porém, durante um almoço, onde ele coloca pratos para os bichinhos comerem na mesa, eles nem dão  bola para a comida em sua frente e pisam dentro dos pratos, passeiam por cima da mesa entre outras coisas. 


Nisso, o fazendeiro vê que não agrada e decide matar sua prole, deixando-os pendurados pelo pescoço. A porca-mãe vê aquilo e resolve se matar. E aí o filme começa a ficar mais bizarro (se já não estava até aqui). O cara retira a porca de dentro do local onde ela se mata, e destroi todos os vidros que colecionava com as cabeças de galinha e outras coisas. 
A partir de agora ele começa a colecionar suas próprias fezes e além disso, começa a comê-las. Ele come de todo o jeito: fervida, em pasta, direto do vaso onde ele caga nos 15 minutos finais mais nojentos que já presenciei em um filme. Vou colocar uma foto e um link, para quem quiser saber mais sobre o filme no final. Eu li em alguns lugares na web e eles não mencionam mas acredito eu que ele comeu a porca e com raiva, caga e a re-come, mas não tenho certeza disso que estou falando, pois a cópia que consegui estava muito ruim e sem som. 


No final, arrependido ou o que for, o cara se suicida no mesmo local onde sua amante o havia feito.

Só para os que gostam de se extrapolar dentro do cinema extremo (eu quase vomitei nos 15 minutos finais de filme).











ASSISTIR:
DVD rip link B.A.E.




Rip VHS baixa qualidade.

Como burlar o Megavideo para assisir mais de 74 minutos e não ter que esperar 54 minutos para assistir de novo. 

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A INVASORA/À l'intérieur

À l'intérieur - Imdb 

Também Conhecido como:
-Inside(Finlândia, Alemanha, Suécia, USA)
-A invasora(Brasil)

 França, 2007, 83 min, cor






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Texto: Perdi a página referente ao texto. Assim que souber acrescento o crédito.

“A L’Intérieur” é mais uma das revelações do gore francês, género do qual se têm comentado por aqui alguns títulos. Violento e sanguinolento como os demais, tem a particularidade de se desenrolar quase inteiramente no espaço fechado de uma residência, curiosamente (ou propositadamente) com o número 666 na porta de entrada. Trata-se, uma vez mais, de uma primeira obra, mas desta vez assinada por dois directores, Julien Maury e Alexandre Bustillo (ex-jornalista da revista francesa Mad Movies) que também é responsável pelo argumento.


A história, como convém neste tipo de filmes, é extremamente simples: Sarah Scarangelo (Alysson Paradis) é uma repórter fotográfica que consegue sobreviver a um violento acidente de carro, no qual o marido perde a vida. As imagens da colisão – magníficas – constituem o prólogo do filme. Sarah encontra-se grávida e o trauma provocado pela morte do companheiro vem alterar-lhe radicalmente o modo de encarar a vida, tornando-a em pouco tempo numa pessoa taciturna e apática, características bem evidenciadas nos primeiros quinze minutos do filme, durante os quais uma tensão em crescendo nos vai anunciando a tragédia que está para vir.


Chegada a véspera de Natal, Sarah encontra-se em casa, sózinha, tendo agendado o parto para a manhã do dia seguinte, altura em que o patrão a virá buscar para dar entrada no hospital. Mas aquela noite revelar-se-á tudo menos pacífica. A campainha da porta soa e uma silhueta de mulher perfila-se junto à entrada. Desconhecida para Sarah, a estranha visita parece saber tudo a seu respeito, tentando convencê-la a deixá-la entrar. Alarmada, Sarah telefona à polícia que chega algum tempo depois para constatar a ausência de qualquer intrusa. Fica a promessa de voltarem durante a ronda seguinte e Sarah vai deitar-se. Mas a mulher volta a aparecer, conseguindo desta vez introduzir-se dentro da casa. E as suas intenções não são nada pacíficas…


Desenrolando-se numa densa atmosfera de claustrofobia, “A L’Intérieur”conjuga o gosto pelo macabro com um mórbido sentido de humor na apresentação dos episódios que vão tendo lugar. Sarah luta desesperadamente pela sobrevivência (dela e do filho que traz no ventre), chegando a ter alguma esperança à medida que outras pessoas vão chegando à casa (o patrão, a mãe, os polícias). Mas todas elas vão sendo sucessivamente eliminadas pela intrusa demoníaca, aparentemente sem qualquer razão subjacente (o motivo será no entanto revelado no surpreendente final). O título do filme, mesmo a sua tradução inglesa (“Inside”) reflecte dois interiores distintos mas que se confundem na sua extrema vulnerabilidade – o interior da casa e o interior do ventre de Sarah, sendo ambos o objectivo de violação por parte da outra mulher. Uma violação que vem a concretizar-se numa terrível apoteose final, de contornos maléficos e de visão quase insustentável, requacionando-se a teoria da essência do mal estar ligado à natureza da mulher e ao seu papel de procriação.


 Um filme hiper-brutal, por vezes horripilante, mas de que não conseguimos desviar os olhos desde que aquele magnífico genérico nos fez regressar à grande escola do horror – uma escola famosa, onde leccionaram alguns dos melhores professores do passado: Argento, Fulci, Carpenter, Romero. No campo da interpretação, o realce vai para Alysson Paradis (irmã mais nova da cantora Vanessa Paradis) que nos dá uma angustiante e vulnerável Sarah mas sobretudo para Béatrice Dalle, que compõe aqui uma das mais perturbantes personagens femininas de que tenho memória. Dada a crueza das imagens e sobretudo por causa do distúrbio psicológico do enredo“A L’Intérieur”deverá ser prudentemente evitado por parte de mulheres que se encontrem grávidas. De resto, convidam-se todos os apreciadores do género para se deliciarem durante cerca de 80 minutos num carrocel de contínuos sobressaltos.




Trailer



Assistir online dublado
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FILME FÁCIL - Mario Bava X Jason Voorhees

Direção: Zeh dos Cortes

Brasil, 2011, cor.


Também conhecido como: Mario Bava vs Jason Voorhees, Banho de sangue contra Sexta feira 13 II, Bay of blood versus Friday the 13th II, snadná film, Kolay film, Twitch of the Death Nerve vs. Friday the 13th II, 13 pedaços de sexta feita 13 parte 2, Ctrl C e V 6ª 13 2, Steve still free, Faça filmes sem filmar, Mixando Mario Bava & Jason Voorhees, Easy Movie, película fácil, film facile, gemakkelijke film, Movie facile, enkel film, łatwy film, uşor de film, lätt film, O método fácil de fazer filmes.




BAIXAR/DOWNLOAD:
Filme fácil - Mario Bava X Jason Voorhees 30mb

ASSISTIR:



Abaixo o texto que foi uma das referências para o curta.
"O fantástico vovô italiano da série SEXTA-FEIRA 13!"
Por Felipe M.Guerra via Boca do Inferno


Falecido em 1980, o italiano Mario Bava é considerado um dos mestres do cinema fantástico europeu. Em meio às obras-primas que dirigiu estão clássicos como A MÁSCARA DO DEMÔNIOBLACK SABBATHO PLANETA DOS VAMPIROS e RABID DOGS. E, entre seus fãs declarados, estão renomados cineastas do mundo inteiro. "Eu amo os filmes de Mario Bava. Eles praticamente não têm roteiro, apenas atmosfera", disse Martin Scorsese, o diretor do eterno clássico TAXI DRIVER. Joe Dante, de PIRANHA e GREMLINS, declarou:"Bava costuma filmar a morte de forma tão apaixonada que, ao sair do cinema, me sinto um pervertido. Ninguém mais faz filmes como ele fazia". Já Tim Burton, um dos mais respeitados e criativos cineastas da nova geração, já revelou que A MÁSCARA DO DEMÔNIO, de Bava, é seu filme preferido. "É engraçado porque nem lembro da história, mas as imagens não me saem da cabeça. A MÁSCARA DO DEMÔNIO me mostrou todo o magnetismo, mistério e poder do cinema", elogiou, numa entrevista.
Ironicamente, o próprio Mario Bava não era assim tão pomposo com o próprio trabalho. Brincalhão e apaixonado por cinema, costumava dirigir como passatempo e nunca achou que seus trabalhos fossem obras-primas. Desde 1939, Mario trabalhou envolvido com a indústria italiana do cinema. Era diretor de fotografia (dos bons), cameraman e até técnico de efeitos especiais. Ele começou a dirigir tarde, e praticamente por acaso: em 1956, trabalhava como diretor de fotografia em I VAMPIRI, horror gótico de Ricardo Fredda, quando o cineasta brigou com os produtores e abandonou o set; sobrou para Bava concluir a obra. E, aparentemente, gostou da brincadeira: em 1960, quando já estava com 43 anos, Mario estreou na direção de um filme"totalmente seu", o clássico A MÁSCARA DO DEMÔNIO. Durante os próximos 20 anos até sua morte, Bava lançou outros vinte títulos - entre horror, comédia, ficção científica, suspense, fantasia, aventura policial e até adaptação de quadrinhos (DANGER: DIABOLIK, de 1968, baseado numa famosa série de HQ italiana).
De lá para cá, cada uma destas películas foi minuciosamente analisada, revisada e elogiada como verdadeiras obras-primas, ou obras de arte, como alguns críticos gostam de definir o cinema de Bava. Diziam que ele não era um cineasta, mas sim um artista que filmava telas. Entretanto, o próprio gênio resumiu a sua carreira numa única frase, e nem um pouco generosa consigo mesmo: "Tudo o que eu fiz foram grandes bobagens". É isso mesmo! Bava nunca viu de maneira pretensiosa a sua obra, e provavelmente se revira no túmulo toda vez que os críticos falam maravilhas de seus velhos filmes, que ele aparentemente fazia apenas por diversão. O cineasta chegou a declarar que reviu seu clássico A MÁSCARA DO DEMÔNIO e não conseguiu parar de rir (!!!). E quando lhe perguntaram, certa feita, por que os franceses e americanos gostavam tanto da sua obra, Bava saiu-se com uma pérola: "Porque eles são muito mais idiotas que nós!". Humilde, divertido e irreverente, Mario Bava é um cineasta que faz muita falta - ainda mais num universo em que videoclipeiros arrogantes estréiam em filmes-pipoca milionários e dão entrevistas achando-se os novos "Orson Welles"!
Bem, o velho Bava que me perdoe: vou ter que analisar - e elogiar muito - uma de suas produções. A obra em questão, no original, chama-se ECOLOGIA DEL DELITTO (algo como "A Ciência de um Crime", em tradução literal) . Trata-se, na verdade, daquele que os críticos chamam de "um filme menor" de Bava, lançado em 1971, uma época de vacas magras para o cineasta. Acontece que, dois anos antes, em 1969, um certo Dario Argento - então um jovem e desconhecido diretor iniciante - lançou o filmaço O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, sucesso de público e crítica na Itália, e imediatamente tornou-se a "nova cara" do cinema fantástico europeu. A partir de então, alguns críticos passaram a considerar Bava um nome ultrapassado, e seus filmes "fora de moda"!!! Pffff... O próprio Bava nunca teve uma relação muito boa com Argento, pois considerava que O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL era uma cópia de um de seus trabalhos, LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO, de 1962. O também cineasta Luigi Cozzi, que era amigo tanto de Argento quanto de Bava, disse que várias vezes tentou reuni-los para um almoço ou jantar onde pudessem conversar sobre, talvez, um projeto em parceria (já pensou???). Mas nunca foi possível juntar os dois gênios, e Bava acabou morrendo sem nunca trabalhar diretamente com Dario - embora tenha construído algumas miniaturas paraMANSÃO DO INFERNO, de Argento, no ano em que faleceu (1980).
Na época do lançamento nos cinemas italianos, ECOLOGIA DEL DELITTO foi um fiasco de bilheteria. Indignado, o distribuidor recolheu todas as cópias, esperou alguns meses e tentou novo lançamento, agora com o filme rebatizado para REAZIONE A CATENA ("Reação em Cadeia"), só que mantendo o título original entre parênteses logo debaixo do novo nome (!!!). Não funcionou e continuou sendo um injusto fracasso de bilheteria. Somente anos depois a crítica - e o público - redescobriria esta fantástica obra, que foi lançada ao redor do mundo com todos os nomes possíveis e imagináveis, em cópias com ou sem cortes nas cenas de maior violência. No Brasil, nos velhos tempos das fitas VHS, a distribuidora Century lançou o filme duas vezes, ambas em cópia sem cortes. Primeiro com o título BANHO DE SANGUE (adaptando "livremente" o título americano BAY OF BLOOD, que quer dizer "Baía de Sangue"); depois, mandou a fita para as locadoras com o nome MANSÃO DA MORTE, ignorando o fato da trama NÃO se passar em uma mansão!!! Como ambos são ridículos, vamos usar o título BANHO DE SANGUE a partir de agora - dos males, o menor.

Analisando hoje, o fracasso de bilheteria lá em 1971 é plenamente justificável: BANHO DE SANGUE é algo muito à frente do seu tempo, tendo o mérito (que para alguns é "demérito") de trazer elementos que posteriormente se transformariam em clichês dos "slasher movies" americanos, aquelas produções que compensam a falta de história com assassinatos sangrentos a cada cinco minutos. Claro que taxar o filme de Bava de slasher chega a ser uma grosseria: a história está mais para uma mistura do estilo italiano de mesclar sexo e violência (o chamado "giallo"), com a típica trama de mistério à la Agatha Christie ("quem será o assassino?"), e com um toque, sim, de slasher, ao mostrar como os personagens são assassinados brutalmente por um matador não-identificado. A fórmula seria celebrizada, quase 10 anos depois, na série americana SEXTA-FEIRA 13. Assim como nas aventuras de Jason, temos em BANHO DE SANGUE uma ambientação à beira de um lago, vários personagens que só existem para ter um final violento e até jovens fazendo sexo e tomando banho pelados no lago. Mas, ao contrário dos slashers posteriores, onde um fiapo de história normalmente justifica o massacre, esta verdadeira obra-prima de Bava é refinada e inteligentíssima, com uma trama repleta de reviravoltas e surpresas que deixam o espectador atordoado do início ao fim.

Li em algum lugar, e vou tomar emprestado aqui, que BANHO DE SANGUE é uma história “sobre homens e insetos”. Ou, mais precisamente, sobre como os humanos, quando destituídos de suas pretensiosas regras de civilização, moral e boa conduta, se parecem com seus amiguinhos invertebrados. Ironicamente, na primeira cena, a câmera acompanha o vôo de uma mosca invisível que morre durante o trajeto, caindo no lago da baía onde se desenrola toda a trama; nos minutos seguintes, várias pessoas irão morrer pelos mais diversos motivos e das mais diversas formas. Como moscas. O aspecto mais interessante da história é que não temos, como nas aventuras de Jason, um único assassino responsável pela carnificina, mas vários - e a identidade de alguns deles não é revelada logo de início. Praticamente todo e qualquer personagem da trama (e não são poucos) tem um motivo para matar ou para morrer, embora a cobiça seja a grande desculpa da maioria dos crimes; outros assassinatos são cometidos para eliminar testemunhas, por vingança, por invasão da propriedade, por puro prazer, etc etc. E assim a contagem de cadáveres segue aumentando, mais e mais. Por isso que BANHO DE SANGUE é simplesmente brilhante: ele nos apresenta um punhado de pessoas que inicialmente julgamos inocentes; porém, no momento em que as máscaras começam a cair, percebemos que todas elas bem que merecem morrer da maneira mais violenta possível. Inclusive as crianças!

Depois do vôo mortal da mosca, nos encontramos num solitário casarão à beira de um lago, onde uma velha em sua cadeira-de-rodas (Isa Miranda) se locomove de um lado a outro na escuridão. Ela pára diante da janela e lança um olhar carregado de dramaticidade para uma velha cabana do outro lado do lago, que tem uma luz acesa na janela. As gotas de chuva que escorrem na janela parecem representar as lágrimas de tristeza que a velha tenta segurar - por um motivo que o espectador só vai saber no final. Ao atravessar um longo hall, ela se depara com um vulto de luvas pretas, que rapidamente lhe coloca um laço no pescoço e chuta para longe sua cadeira-de-rodas. Tudo acontece tão rápido e de surpresa que o espectador chega a ficar atordoado: sem conseguir se apoiar nas pernas inválidas, a velha fica se debatendo com o pescoço laçado, sem conseguir respirar, enquanto, a alguns metros, uma das rodas da sua cadeira-de-rodas termina lentamente de girar. No momento em que a roda pára, também morre a velha, que fica naquela posição como se tivesse cometido suicídio! Uma cena simplesmente fantástica!
A câmera então se aproxima do vulto, mostra suas luvas pretas - um elemento tradicional dos “giallo” - e sobe... revelando o rosto do assassino (Giovanni Nuvoletti)! A revelação inicialmente pode parecer um tanto frustrante, pois o espectador imagina que este é um daqueles filmes em que é preciso descobrir a identidade do matador! Mas calma... o assassino planta um falso bilhete de suicídio sobre a mesa, escuta um barulho vindo da porta da frente e, quando vai começar a arrumar a cena do “suicídio”, uma lâmina de canivete brilha na escuridão (outro clichê dos “giallos”), atingindo o homem de surpresa, raivosamente, pelas costas. Após várias estocadas do punhal, o assassino, agora assassinado, cai cuspindo sangue aos pés da velha que ele minutos antes havia matado. Ou seja: em menos de 10 minutos, dois personagens foram apresentados (três, se contarmos a mosca. hehehe) e logo em seguida barbaramente assassinados! E a identidade do terceiro homem, aquele que apunhala o assassino da velha, é mantida em segredo. É claro que estamos diante de um filme no mínimo diferente...

Desde este prólogo bizarro, o espectador já se acostuma com a proposta de BANHO DE SANGUE: todos podem matar ou morrer, todos têm uma razão para matar ou morrer e todos, a qualquer momento, podem matar ou ser mortos. Para complicar ainda mais, a trama é um grande quebra-cabeças. Não raras vezes, os personagens (e suas motivações) só são apresentados quando eles já estão mortos. É o caso da velha e do homem mortos no prólogo: somente mais tarde, por meio de conversas entre os outros personagens, vamos saber quem eram, como se chamavam e o motivo para suas mortes. Resumindo: a estrutura do roteiro e a forma como a história é contada é simplesmente genial, exigindo até que o filme seja visto duas vezes para entender melhor quem matou quem e porquê. hehehehe.

Da cena dos dois primeiros crimes, a trama corta diretamente para um apartamento onde um casal está na cama curtindo um momento relax pós-sexo. Ele é um arquiteto chamado Frank Ventura (Cristea Avram, creditado "Chris" Avram), e ela, sua secretária e amante, a sexy Laura (Anna Maria Rosati... será parente do Renato Rosatti, aqui da Boca do Inferno?). Pela conversa informal que os dois estão tendo, finalmente começamos a entender alguma coisa sobre a trama: a velha morta no início era a Condessa Federica Donatti, e a polícia considera sua morte um suicídio, embora seu marido, o Conde Filippo Donatti, esteja desaparecido há vários dias. Sim, você pensou certo: o marido desaparecido é o assassino da velha, aquele que foi morto momentos após o crime. Aparentemente, Ventura tem grande interesse em comprar a área da baía, que pertencia à Condessa - e agora aos seus herdeiros -, para construir um luxuoso resort turístico. A Condessa, quando viva, não queria saber de vender a propriedade para Ventura. Isso nos leva a imaginar, desde o início, se o arquiteto não teria um papel no assassinato da velha...








Sem maiores explicações, Ventura levanta-se da cama, volta a vestir sua roupa e pega uma maleta repleta de documentos para ir à baía. Neste momento, o filme nos apresenta outros personagens, novamente sem pressa de explicar suas identidades e motivações. Há um rude pescador (Claudio Camaso, creditado como "Claudio Volonté"), que adora comer polvos crus (e de preferência vivos, décadas antes de OLDBOY). Ele mora na cabana ao lado do lago, aquela para onde a Condessa olhava no início, e seu nome, conforme descobrimos mais tarde, é Simon. Há um bizarro casal, os Fossati, que vivem numa casa vizinha à da Condessa. Eles são o alívio cômico da trama: Paolo Fossati (Leopoldo Trieste, que teve um pequeno papel na trilogia O PODEROSO CHEFÃO) é entomologista e vive de caçar insetos para sua coleção, além de conversar com um besouro de estimação; sua esposa Anna (Laura Betti, que fez SALÓ, de Pasolini) é uma cartomante alcoólatra que prevê uma tragédia na baía. Há ainda um casal que circula pela região num trailer, com os dois filhos pequenos, bisbilhotando e observando os outros com binóculo. Mais tarde, descobriremos que são Alberto (Luigi Pistilli) e sua esposa Renata (Claudine Auger, atriz francesa que foi bondgirl em 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA). A ambiciosa Renata é a única herdeira da fortuna da Condessa. Ou pelo menos é o que ela pensa no início...

A partir de então, durante uns bons 15 minutos, o filme se preocupa em mostrar como todas estas peças se relacionam no tabuleiro, e as características de cada uma delas. Primeiro, Simon e Paolo tem uma discussão sobre a morte à beira da lagoa. Simon argumenta que o etmologista é um assassino ao caçar insetos e pregá-los com alfinetes em sua coleção, enquanto ele pelo menos come os polvos que caça. Pode até parecer papo furado, mas o diálogo serve justamente para apresentar ao espectador os pontos de vista destes dois personagens: enquanto Paolo, aparentemente um sujeito tímido e covarde, fica chocado perante a idéia de ser, segundo Simon, um assassino, o próprio Simon é apresentado como um homem frio e cruel, que não hesita em pescar e comer polvos crus - e sabe-se lá o que mais ele teria coragem de fazer. Em seguida, é a esposa de Anna quem surge com aquela típica besteirada sobre destino e maldições - uma espécie de "Crazy Ralph", da série SEXTA-FEIRA 13, só que dez anos antes. Ao ler a sorte nas cartas, Anna vê o futuro negro que irá se abater sobre a baía, e larga um diálogo incompreensível à la Zé do Caixão: "Uma mensagem obscura... O único, o tudo, o nada! As linhas do ar, fogo, água e terra estão completas! O ciclo da morte está para começar!!!". Hããããã... Não entendi! hahaha. Mas deve ser algo muito ruim, porque ela arregalha os olhões naqueles supercloses que só os italianos sabem filmar.


Paralelamente, como se fossemos transportados para a série SEXTA-FEIRA 13 (só que, repetindo, uma década antes), dois casais de jovens aparecem na região a bordo de um buggy, loucos para beber, dançar e transar - não necessariamente nesta ordem. Eles são Duke (Guido Boccaccini) e sua namorada francesa Denise (Paola Montenero, creditada como "Paola Rubens", que apareceu também em L'ALTRO INFERNO, de Bruno Mattei), e Bobby (Roberto Bonnani) e sua namorada Brunhilda (Brigitte Skay). Eles encontram, em meio à floresta, um velho night club abandonado, com pista de dança, aparelho de som funcionando e tudo mais, além de uma piscina repleta de lodo. Perto dali há um chalé, que o quarteto arromba sem pensar duas vezes, para continuar sua festinha. A casa, conforme descobrimos por meio de um porta-retrato sobre a cômoda, pertence a Frank Ventura; já o night club fechado era do falecido Conde Filippo Donatti. A festa está animada, mas Brunhilda resolve ir tomar um banho de lago - pelada, é claro. Enquanto tira a roupa, é observada por alguém escondido atrás de uma árvore, e representado pela própria câmera (para colocar o próprio espectador no papel do misterioso observador). A câmera subjetiva fazendo o papel de assassino seria celebrizada, anos depois, no prólogo de HALLOWEEN, de John Carpenter.

Peladinha, Brunhilda nada alegre de um lado para o outro, exibindo sua nudez em closes gratuitos, e então um de seus pés se enrosca num fio, fazendo submergir um cadáver do fundo do lago. A moça sai gritando, coloca seu vestido (sem calcinha) e é perseguida pelo misterioso observador. Corre desesperada, com a câmera mostrando tudo por baixo do vestido enquanto ela foge, mas, quando está para chegar na casa e pedir ajuda, é atingida com um faconaço no pescoço, tendo a garganta aberta de uma orelha a outra, morrendo após alguns espasmos de agonia. O próximo a ir para o saco é Bobby, que leva um faconaço bem no meio do rosto, dividindo-o no meio - um efeito excepcional, ainda mais considerando a época em que foi feito. Para completar a queima de arquivo, falta o casal Duke e Denise, que está transando no quarto. O misterioso assassino reserva um destino especial aos dois: usando uma lança decorativa, atinge as costas da moça (que está montada no rapaz) e transpassa o colchão, atravessando ambos num abraço mortal. Antes de morrer, Denise se contorce sobre o amante, num misto de dor, prazer e êxtase, como se estivesse tendo seu último orgasmo - enquanto suas unhas rasgam o lençol do colchão. Simplesmente brilhante!
Paralelamente, Anna, que novamente está tirando a sorte nas cartas, vai procurar o marido Paolo em seu escritório, porém ele não está lá; sobre a mesa, há um besouro vivo, atravessado por um alfinete. O inseto se contorce inutilmente, na vã tentativa de sobreviver - uma imagem muito, mas muito semelhante ao orgasmo mortífero dos dois jovens atravessados pela lança na cama, minutos antes. Para levantar ainda mais suspeitas, quando Paolo reaparece em cena, ele tem um misterioso ferimento na mão. Hmmm... Será o inocente etmologista o culpado pelo massacre no chalé do arquiteto? Até então, parece que há um assassino psicopata rondando a região e eliminando os agressores. Logo ficamos sabendo que a história é um pouquinho mais complicada...

As surpresas começam quando Alberto e Renata vão até a casa de Anna e Paolo. Os Fossati explicam ao casal de visitantes (e ao espectador, obviamente) vários detalhes obscuros sobre os personagens que foram apresentados desde o início da trama, preenchendo lacunas do tipo "quem são (ou eram)", "o que querem (ou queriam)", e por aí vai. Renata quer saber detalhes sobre o sumiço do seu pai (o Conde), e a cartomante lhe revela que o Conde Filippo era viciado em jogo e mulheres, além de sonhar com a transformação da baía em um elegante condomínio - sonho com o qual a Condessa, obviamente, não concordava. Os Fossati dizem, também, que o casamento dos dois não ia nada bem (entendeu porque a velha estava entristecida antes do "suicídio", no começo do filme?), e que a Condessa não era do tipo que cometeria suicídio. "Ela amava a vida, e seu dinheiro mais ainda", diz Anna. As peças começam a se encaixar.

Mas a grande revelação é a de que Simon, o pescador que adora comer polvo cru, na verdade é filho ilegítimo da falecida Condessa Federica, nascido de uma aventura amorosa da velha. Agora você sabe porque ela olhava, com o olhar perdido, para a cabana de Simon no início, não é? “Ela manteve o próprio filho preso até os 17 anos, depois fez com que ele construísse aquela cabana e vivesse ali o restante da vida, para que ninguém soubesse do seu segredo”, explica Anna. E você que até tinha ficado com pena daquela pobre velha assassinada, hein?

No fim do diálogo, Paolo novamente dá amostras de ser um sujeitinho bem suspeito, ao se queixar dos planos do Conde Filippo e de Frank Ventura para transformar a baía em um resort, o que iria acabar com os insetos que ele tanto adora: "Eu os odeios porque eles querem transformar a baía num mar de cimento! Mas eu os impedirei... Ah sim... Nem que eu tenha que...", e neste momento Paolo se cala, deixando no ar o que exatamente ele faria para impedir a destruição da baía. De qualquer jeito, ainda em busca do seu pai desaparecido (e que todos sabemos estar bem morto), Renata vai ter uma conversa com Simon - que, agora, tornou-se seu irmão ilegítimo. E não é que o barco do pescador traz uma pequena surpresinha: o corpo já decomposto do Conde Filippo, justamente aquele que estava no fundo da baía quando Brunhilda foi nadar!!! Num close grotesco, a câmera de Bava filma um polvo vivo se contorcendo sobre o rosto do cadáver putrefato!
A partir deste ponto (já estamos lá nos 35 minutos de projeção), nada mais sobre a história pode ser revelado, sob pena de estragar as (muitas) surpresas que Bava prepara para o espectador. Mas, até o final, muita gente vai matar e morrer. E muitas perguntas serão respondidas. Tipo: Será Simon o assassino? Será Paolo? Que interesse tem Alberto e Renata na baía e que plano maquiavélico eles estão armando? Por que a Condessa foi morta afinal? Qual a ligação de Frank Ventura com os assassinatos? Quem matou o Conde Filippo? Enfim, são inúmeras pontas soltas que o roteiro aos poucos vai elucidando, explicando sem pressa as motivações dos personagens, até um fantástico e irônico final, onde o castigo para os vilões vêm de onde menos se espera, depois de uma ciranda de morte e mutilação.

A influência de BANHO DE SANGUE para a série SEXTA-FEIRA 13 não é devaneio meu e nem chute de alguns críticos desavisados: o próprio criador da franquia, Sean S. Cunningham, afirmou o fato em entrevista ao livro"Making Friday the 13th", de David Grove: "O sucesso de HALLOWEEN foi a maior inspiração, mas Bava certamente me inspirou também. Seus filmes são chocantes e visualmente fantásticos, o que eu queria que SEXTA-FEIRA 13 também fosse. (...) HALLOWEEN era uma coisa mais artística, mas eu queria que SEXTA-FEIRA 13 fosse muito, muito sangrento, e parecido com um filme de Bava". Porém é claro que SEXTA-FEIRA 13(e 99% dos slasher movies feitos posteriormente) não são nem dignos da inteligência e sofisticação de BANHO DE SANGUE.
Embora BANHO DE SANGUE e SEXTA-FEIRA 13 até tenham suas similaridades - principalmente na ambientação bucólica ao redor de um lago, no assassino misterioso e na extrema violência -, o filme de Bava é infinitamente mais surpreendente e inesperado. Enquanto na franquia SEXTA-FEIRA 13 você sabe que os personagens sempre serão mortos toda vez que Jason aparece em cena, na obra de Bava a morte vem de repente, sempre de surpresa, e não sabemos exatamente de que forma - até porque há mais de um assassino agindo, e em determinado ponto da trama TODOS os personagens começam a matar uns aos outros! Em comparação, é como se, no primeiro SEXTA-FEIRA 13, Ned e Annie fossem mortos pela Sra. Voorhees, que de repente seria morta por Alice, que por sua vez seria assassinada por Bill e Brenda, e ambos depois acabariam assassinados por Jack. Captou? Uma seqüência de reviravoltas e surpresas do início ao fim!

Além disso, em BANHO DE SANGUE não há um personagem com quem o espectador possa simpatizar, um"herói" - ou a heroína virgem, tímida e acanhada típica do cinema slasher. Todos, sem exceção, são malvados, cruéis e interesseiros, os personagens não conseguem se suportar por mais de cinco minutos sem que comecem a se matar. E todos eles estão ligados por misteriosas relações e motivações que o espectador só vai conhecer perto do final. O brilhante roteiro foi assinado a seis mãos por Bava, Filippo Ottoni e Giuseppe Zaccariello (creditado "Joseph McLee"), baseados num argumento de Franco Barberi e Dardano Sacchetti (um habitual colaborador de Lamberto Bava e Lucio Fulci, aqui também em um dos seus primeiros trabalhos). Apesar de ser considerado um "antepassado" dos slashers, BANHO DE SANGUE não tem o moralismo exacerbado dos filmes americanos posteriores, onde os jovens são mortos quando transam ou usam drogas; na obra de Bava, as pessoas morrem por cobiça, por estarem na hora errada no lugar errado ou, simplesmente, por serem burros demais para perceber a presença do assassino.

Ainda comparando com os slasher movies posteriores, BANHO DE SANGUE também reserva um papel de maior destaque para as mulheres. Se na maioria dos SEXTA-FEIRA 13 elas são ou bonecas infláveis que transam e morrem, ou virgenzinhas inocentes que sobrevivem no final apenas com muita sorte, no filme italiano as mulheres são fortes, determinadas e, não raras vezes, ardilosas e cruéis. Espere só para ver a forma como a ambiciosa Renata manipula diversos personagens, inclusive o próprio marido Alberto, numa reviravolta que alguns críticos comparam à peça "Lady Macbeth", de William Shakespeare!

E tem a violência explícita... Claro que isso não era exatamente uma novidade em 1971. Afinal, já tínhamos as obras de precursores do gore, como Hershel Gordon Lewis (e seu BANQUETE DE SANGUE, repleto de mutilações diversas, lançado em 1963), George A. Romero (com as cenas de canibalismo de A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, de 1968), Sam Peckinpah (com o ultraviolento SOB O DOMÍNIO DO MEDO, que é do mesmo ano de BANHO DE SANGUE) e até o brasileiro José Mojica Marins. O próprio Dario Argento, "rival" italiano de Bava, estava utilizando cenas mais sangrentas. Mas BANHO DE SANGUE talvez seja um dos primeiros filmes a utilizar a violência explícita e exagerada de maneira tão gratuita que ela passa a ser quase cômica - uma "técnica"que seria aprimorada, posteriormente, na série SEXTA-FEIRA 13, onde o público tinha interesse apenas em ver como os jovens personagens seriam mortos, cada vez de forma mais exagerada, muitas vezes até torcendo pelo assassino, e não pelas vítimas.
Um crítico americano disse que o sangue, no filme de Bava, "jorra como champanhe numa festa de casamento". É aquele sangue vermelhão típíco das produções de antigamente, o que torna tudo mais marcante, exagerado e caricatural; Bava filma decapitações, gargantas cortadas e rostos mutilados com detalhes gráficos muito antes de isso virar uma das principais atrações do cinema de horror setentista - filmes como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e LAST HOUSE ON THE LEFT são posteriores. E os efeitos são de um especialista no gênero, o italiano Carlo Rambaldi, num de seus primeiros trabalhos. Rambaldi depois iria trabalhar em clássicos como ALIEN - O OITAVO PASSAGEIROPRELÚDIO PARA MATAR e a refilmagem de Dino de Laurentiis para KING KONG.

Foi principalmente devido à violência explícita que BANHO DE SANGUE foi cortado e recortado, lançado e relançado nas mais diferentes versões e com todo tipo de título bizarro. Na versão mais censurada (lançada na Inglaterra na época de forte censura no país), a cena do rapaz morto com o facão cravado no rosto foi quase toda suprimida, fazendo com que a forma como ele morre seja um verdadeiro mistério - esta versão tem 81 minutos, contra os 84 do original. Na Itália, também existe uma edição com 76 minutos (!!!), onde as cenas de violência permanecem intactas, enquanto boa parte dos diálogos foram limados - uma estratégia do distribuidor para deixá-lo mais ágil e fazer a publicidade em cima de sexo e sangue. Entre os títulos usados ao redor do mundo estão BAY OF BLOOD (o mais correto e interessante), TWITCH OF THE DEATH NERVE (o mais popular nos EUA), CARNAGE, BLOODBATH, BEFORE THE FACT - ECOLOGY OF A CRIME, CHAIN REACTION, BLOODBATH IN THE BAY OF DEATH e até, numa picaretagem suprema, LAST HOUSE ON THE LEFT 2 e THE NEW HOUSE ON THE LEFT, numa tentativa dos distribuidores ambiciosos de faturar em cima do famoso filme de Wes Craven - que foi lançado DEPOIS, em 1972!!!
Boa parte do elenco de BANHO DE SANGUE já passou para "o outro lado". Luigi Pistilli (Alberto) e Claudio Camaso (Simon) cometeram suicídio, respectivamente em 1996 e 1977. A francesa Claudine Auger (Renata) continua viva, mas abandonou o cinema; já Cristea Avram (Frank Ventura), Leopoldo Trieste (Paolo) e Laura Betti (Anna) morreram em anos diferentes, e do resto do elenco pouco se sabe atualmente porque não fizeram outros trabalhos além deste. A atriz Laura Betti faleceu há pouco tempo, em 2004, e antes da morte deu um depoimento sobre o filme para o livro "Mario Bava - Master of Horror", de Luigi Cozzi. "Eu lembro que havia uma cena em que eu e Luigi Pistilli tínhamos que correr em diferentes direções e então se encontrar em frente à câmera, quando aconteceria um diálogo que era vital para a história. A cena supostamente deveria acontecer na floresta... Então nós corremos, chegamos perto da câmera... e encontramos Bava sacudindo um galho de árvore em frente à câmera, e aquele galho supostamente deveria ser a floresta! Eu e Luigi começamos a rir sem parar, como idiotas, assistindo Mario com aquele galho. Tentamos repetir a cena, mas todas as vezes eu começava a rir. Bava até tentou fingir que estava nervoso, mas logo começou a rir também. No fim, tivemos que mudar toda a cena".

Se Bava não tivesse morrido em 1980, provavelmente iria morrer de tristeza logo depois, ao ver como sua obra seria emulada e diluída numa porção de slasher movies feitos nos EUA, sem a mesma inteligência e refinamento de BANHO DE SANGUE. Ele talvez até tivesse tempo de processar os produtores de SEXTA-FEIRA 13 PARTE 2(lançado em 1981), que contém duas cenas absurdamente plagiadas de BANHO DE SANGUE: a morte do casal empalado na cama (Steve Miner, diretor de SEXTA-FEIRA 13 PARTE 2, copia até mesmo os ângulos de câmera utilizados por Bava) e o faconaço no meio do rosto de um rapaz (que, no filme americano, é paralítico). Por mais incrível que possa parecer, a Sra. Voorhees (interpretada por Betsy Palmer no primeiro SEXTA-FEIRA 13) até usa um suéter bege IDÊNTICO àquele vestido por Simon em BANHO DE SANGUE!!! Entretanto, o que os slasher movies americanos poucas vezes conseguiram copiar foi o talento do mestre Bava, que, como um pintor, compõe mais uma obra-prima, uma tela para ser exibida num museu, e não num cineminha fuleiro.

Também diretor de fotografia (e com uma mãozinha do filho Lamberto Bava na direção da segunda unidade), Mario faz de BANHO DE SANGUE não só um filme criativo e violento, mas também bonito. Aqueles mais interessados em sexo e sangue provavelmente nem vão dar atenção para takes como aquele em que o diretor filma a baía ao entardecer, e o reflexo do sol na água deixa a lagoa com um tom avermelhado - como se fosse uma verdadeira baía de sangue! E embora use e abuse de um artifício que eu, pessoalmente, não gosto (o superclose até sair de foco para marcar a mudança de cena), Bava esbanja talento cinematográfico a cada cena de suspense, de perseguição (chegando a correr com a câmera na mão) e de assassinato, todas elas sublinhadas pela expressiva (embora deslocada em certos momentos) trilha sonora de Stelvio Cipriani.

BANHO DE SANGUE não deve ser visto, mas sim apreciado. Não uma vez, mas várias. É a maldade humana em estado bruto, com um bem-vindo toque de humor negro e um final tão surpreendente e criativo que muitos irão rir de nervosismo. Vale a pena procurar pelas velhas fitas VHS, embora elas estejam dubladas em inglês e com a imagem em widescreen cortada dos lados. O DVD americano está fora de catálogo, porém sempre é possível fazer o download pelo Emule. Só tenha cuidado na hora de baixar: "Reazione in Catena" também é o nome italiano daquele filme de ação de Andrew Davis, estrelado por Keanu Reeves - e isso eu descobri da pior maneira possível... hehehehehe.
Se você nunca ouviu falar de Mario Bava - ou ouviu, mas nunca viu nada dele -, BANHO DE SANGUE é uma excelente forma de começar a aprender mais sobre a obra do diretor. Para mim, pessoalmente, é a grande obra-prima do cineasta. O que não é pouca coisa, considerando que o velho Mario praticamente só fez filme bom na vida...


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