ELES A CHAMAM DE CAOLHA

Eles a chamam de Caolha - imdb

Também conhecido como:
-Hooker's Revenge (USA) (reissue title)
-They Call Her One Eye (USA) (censored version)
-Thriller (Sweden) (short title)
-Thriller: A Cruel Picture (USA)

Direção: Bo Arne Vibenius
Suécia
, 1974.




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Texto por Juarez Junior via Pipoca de sal
O sueco Bo Arne Vibenius tem uma biografia singular na história do cinema. Primeiramente, foi colaborador do homem máximo do cinema sueco, Ingmar Berman. Depois desse período de louros, em 1974 se entregou a uma obra explotation que mudou sua vida para ao bem e para o mal. Câmeras inovadoras, cenas de sexo explícito, violência grosseira, uma trama absurda e figurinos pra lá de estilosos. Assim é Thriller – a Cruel Picture, o filme que Tarantino denomina o maior sobre vingança (que coisa é essa?!) já realizado. A produção virou a cabeça do público underground, mas dizem que Bergman não aprovou o trabalho do pupilo e por isso nunca mais trabalhou com Vibenius. Pouco importa se a lenda é verídica, mas que valeu a pena o sacrifício isso valeu. Thriller virou referência obrigatória; da protagonista de tapa-olho e sobretudo preto às cenas de violência em câmera lenta, tudo virou cult.

Alguns aproveitamentos viraram verdadeiros símbolos do cinema contemporâneo. O estilo de women with guns (WWG), tão em alta hoje em dia, começou com o filme sueco. Violência filmada em câmera lenta, que fez a fama de John Woo, foi inovação proposta por Vibenius. Tudo bem, Sam Peckimpah também fez isso, se bem que usou mais a proposta da mesma cena por vários ângulos. Como o negócio aqui é Verbinus, vale dizer que ele utilizou câmeras emprestadas da Nasa, usadas para filmar lançamentos de foguete, no retrato da vingança sangrenta da heroína. Isso sem falar em um figurino que os irmãos Wachowski (eca!) copiaram em detalhes a posteriori, e por aí vai.

O roteiro escrito pelo próprio diretor, conta a trajetória de Madeline (a linda ninfeta Christina Lindberg), uma garota muda que vive tranqüilamente com os pais em uma vila rural. Ao perder o ônibus para a cidade aceita a carona de um malandro. O vilão Tony (o excelente Heinz Hopf), com sua barba bem feita e lábia afiada, parece saído de um filme brasileiro da boca do lixo . A primeira frase do canalha é um assombro: “Você pode me dar uma única razão para não ir à cidade comigo?”. Ele vai acabar com a vida da garota. Primeiro vai viciá-la em drogas pesadas e, depois, obrigá-la a se prostituir. No primeiro programa, uma revolta com o cliente e o cafetão rasga seu olho. A cena é famosa e foi realizada com o uso de um cadáver. Quem assistiu ao Un Chien Andalou vai fazer a óbvia ligação. Madeline agora será conhecida pela alcunha de One Eye.

Sozinha e sem qualquer alternativa, ela se vê obrigada a cair na vida. Desgraça pouca é bobagem, então os pais se suicidam com o desespero pelo sumiço da filha. Os velhinhos receberam uma carta dizendo que ela tinha ido embora por não agüentar mais morar na fazenda com as restrições impostas por eles. Tony e sua turma são escrotos mesmo. Dessa forma, Madeline parece aceitar a condição (ganha uma grana pelo trabalho), mas é armação. Madeline faz aulas de caratê, tiro e perseguição automobilística arquitetando a vingança contra seus algozes. Há até um clipe ao estilo sueco mostrando a evolução nas habilidades. Bacana demais.

Destaques para cenas de sexo explícito nas quais foram usadas dublês de corpo para Lindberg. A edição deixa isso claro. Outra lenda, Vibenius pegou garotas de programa de Estocolmo para realização dessas seqüências. Mas calma pessoal, não há motivo para desespero. A nossa querida protagonista é muito sensual e não hesita em exibir o belo corpo a todo instante.

Com o fim brutal da amiga Sally (Solveig Andersson), único consolo de Madeline naquele mundo, chega a hora da vingança. A turma malvada é eliminada com brutalidade. Tudo registrado em câmera lenta. Uma perseguição de carros e a morte engenhosa de Tony no melhor estilo western spaghetti. Destaque - a bronca pra cima de dois policiais que tentam impedir a justiceira foi plagiada (a palavra é essa) em Matrix.

A trama é particularmente absurda e parte de uma premissa que parece patente desses filmecos de ação realizados hoje em dia. O ritmo é lento e, nos experimentalismos, a realização ficou aquém do esperado. Entretanto, a julgar pela infinidade de imitações, todas as inovações são idéias, no mínimo, criativas. Ao apresentar uma protagonista inesquecível (ela não diz uma palavra durante toda a projeção) e por não se render a qualquer convenção, Thriller virou símbolo do cinema explotation. Impossível precisar se Vibenius é louco, oportunista ou gênio. Entretanto é inegável que representa a personificação ideal da expressão “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”.

Ponto Alto: o professor de caratê dá uma bronca na aluna que insiste em interromper as aulas para dar um pico. São momentos como esse que me fazem AMAR o cinema setentista.
Ponto Baixo: cômica perseguição automobilística com direito a explosão por toque no pára-choque.

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1 comentários:

  1. J. Tanatos disse...

    Saudações;

    Acho que eu esperava mais. Provavelmente eu estivesse com uma ideia bem mais "gore" do filme, contudo, é um filme interessante, até para quem não curte o terror "extremo".

    J.T.

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