BEGOTTEN

Begotten - imdb

Direção: E. Elias Merhige
Usa
, 1990, pb.



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Uma profana epifania da Criação.
Texto por Cid Vale Ferreira via Revista Carcasse

Begotten não é um filme de gênero. Não segue as convenções do drama que norteia a quase totalidade das produções cinematográficas. De certa forma, num primeiro momento, poderíamos considerá-lo como o registro dum rito profano enraizado no tripé primitivo da natividade, morte e renascimento…

As inúmeras tentativas de descrevê-lo elogiosamente renderam expressões como "um teste de Rorschach para o olho aventureiro", "um dos dez filmes mais importantes dos tempos modernos", "um sangrento filme metafísico"… já as demais poupam palavras em simplificações que, não raro, resumem-se a “lixo”. Seja abordado por entusiastas ou detratores, algo é certo: é impossível considerá-lo um trabalho vulgar. Trata-se dum filme singular, um radical experimento artístico, capaz de fascinar… ou irritar.



O resultado, esteticamente revolucionário, é fruto dos trabalhos do grupo performático Theatreofmaterial, fundado em 1985 pelo nova-iorquino Edmund Elias Merhige, então com cerca de 21 anos. Inspirado pela dança japonesa de vanguarda, pelo cinema experimental, pela cultura tribal e pela arte expressionista, o líder do grupo concebeu uma performance mítica só tardiamente transformada em projeto cinematográfico. Mas se, inicialmente, a idéia de transpor as barreiras entre as linguagens seria apenas uma maneira de perenizar o trabalho, a proposta evoluiu a ponto de englobar a interferência no próprio suporte, a película. Se no Butô japonês o dançarino "deforma" gestualmente seu corpo para expressar "sentimentos deformados", Merhige granula e sobrecontrasta suas imagens, relacionando a aparência vetusta da imagem à atemporalidade do tema.

Numa entrevista sobre seu primeiro longa-metragem, concedida em 1992 à revista Propaganda, voltada ao público gótico, Merhige comentou as implicações de seu título (traduzível como "Criado"): "abaixo das imagens descartáveis da vida cotidiana, banal, há apenas o tribal, o indelével e o atemporal. Estas imagens são criadas. A existência é cíclica. Nascimento cria a vida, vida cria morte, morte cria renascimento".

Pretensão verborrágica para alguns, visões geniais para outros, o discurso do roteirista, produtor, editor e diretor desta obra-prima encerra pontos-chave para sua assimilação e compreensão. Seu afã antropológico denuncia sua intimidade com a cultura acadêmica, e é justamente o passado de alienação em relação ao ofício cinematográfico como produção industrial – visto que temos nele um pintor-dramaturgo-poeta por detrás das câmeras – que lhe garante uma abordagem duma veia filosófica no mínimo incomum.



Somadas às suas diretrizes artísticas, destacam-se experiências cinematográficas prévias com as quais a produção dialoga. Entre suas mais óbvias e admitidas referências, é impossível não remetermos ao cinema alemão da década de 20, especialmente ao seminal O Gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene (1880-1938), cuja estética expressionista impregnou o surgimento do horror fílmico novecentista com uma inconfundível verve macabra. Outro relevante sustentáculo conceitual pode ser apontado em Les Yeux Sans Visage (1960), do diretor Georges Franju (1912-1987), que, nesta cultuada e sangrenta fábula francesa de horror, foi capaz de expor cenas de transplantes involuntários de rostos numa atmosfera feérica e poética.


Porém, apesar do peso de suas fontes européias, é em sua própria pátria que reside o principal precursor de seu trabalho… Stan Brakhage (1933-2003), uma lenda do cinema americano de vanguarda, seguiu os passos de seu conterrâneo Man Ray (Emmanuel Radnitzky, 1890-1976) e notabilizou-se – entre outros motivos – por interferir diretamente na película de obras como Mothlight (1963), em que colou asas e outros "destroços" de insetos nos rolos projetados. Mas é doutro exemplar de sua lavra que Merhige reconhece inegável influência: Act of Seeing with One’s Own Eyes (1971) – cujo título é uma tradução literal do termo "autópsia" – registra, sem som, três dissecações de cadáveres anônimos em enquadramentos nada decorosos quanto às tripas, mas pudicos em relação aos rostos, a ponto de certa volúpia cruenta do olhar cinematográfico esbarrar no comedimento respeitoso aos mortos, contradição que se repetirá em Begotten, no confronto entre o sagrado e o obsceno.



Por mais inútil que pareça descrever 78 minutos de imagens sombrias e perturbadoras, é possível resumi-lo em palavras, por mais bizarro que soe o relato. Pois bem, Um Cão Andaluz (1929) tem a navalha a cortar um globo ocular, Antropophagus (1980) tem o zumbi a devorar as próprias entranhas… e Begotten tem em seus 15 primeiros minutos uma seqüência antológica: numa casa arruinada, um homem mascarado – que lembra vagamente o "Leatherface" – empunha uma navalha enquanto vomita sangue. Em movimentos espasmódicos, passa a eviscerar-se enquanto órgãos vitais empapados numa massa negra escorrem por suas pernas e pés. De seu cadáver, emerge uma viçosa mulher mascarada, que se debruça sobre o corpo e passa a masturbá-lo delicadamente, até a ejaculação. Com o sêmen em suas mãos e ventre, ela espalha o líquido em sua pele e detém-se demoradamente na manipulação de sua vulva, fecundando-se. O que se segue, embora em ritmo mais arrastado, mantém o interesse. Como um "Caligari de lugar nenhum", a grávida perambula com um esquife negro como seu útero, donde não tirará nenhum sonâmbulo, mas que prenuncia a relação entre a gestação e a entrega dum rebento ao terreno da morte. O parto ocorre, e seu filho nasce convulsionando para nunca mais se aquietar. Os nomes das personagens? "Deus suicidando", "Mãe Terra" e "carne sobre ossos". Arrastando sua cria por uma espécie de cordão umbilical, a misteriosa mulher se depara com uma tribo embuçada em trapos – inspirada pelos coros da tragédia grega – que a estupra com um aríete. De seu corpo, flui um fluxo d’água a umedecer o solo, enquanto seu filho é esmagado, retalhado e plantado.

O descompromisso moral e comercial da obra é exemplar e fortalece seu caráter mítico de cosmogonia grotesca, calcada na interdependência entre vida e morte, criação e destruição. Seu tempo é o do eterno retorno, suas personagens, potestades da natureza, antropomorfizadas, a habitar uma paragem pré-histórica ou pós-apocalíptica, tanto faz, tal é o anacronismo que reúne ferramentas modernas, como a navalha, com toda uma estética de pintura rupestre.



O efeito visual é inacreditável. Merhige optou pela utilização de película reversível, própria para slides. Depois de revelá-la, refotografou-a quadro a quadro em 16mm preto-e-branco num maquinário que, criado exclusivamente para isso, expôs as imagens contra luzes fortes, obtendo um inédito efeito de granulação e velhice artificial, já que o diretor não queria que o filme parecesse "datar dos anos 20, nem mesmo do século XIX, mas, sim, como se fosse da época de Cristo, como se fosse um Manuscrito do Mar Morto cinemático enterrado nas areias". O processo levava de oito a dez horas para cada minuto finalizado, num admirável tour de force.

Ninguém da equipe foi remunerado pelo trabalho, mas ninguém desprezou os jantares e acomodações confortáveis providenciados pela mãe do pintor-cineasta. Os custos foram cobertos com uma reserva familiar de U$ 20,000 para um curso de medicina e, para minimizar as despesas, os cerca de cinco meses de filmagens só ocorriam durante fins-de-semana. Em vez de estúdios, optou-se pelas locações em sítios de construção cobertos de entulho nas cercanias de Nova Iorque.



Restrito a festivais, Begotten seria relegado à obscuridade não fosse o selo World Artists tê-lo editado em DVD em 2001. O produto inclui um caprichado encarte e, como extras, o trailer, fotos inéditas e notas de produção. Suas seqüelas foram notáveis. O cantor Marilyn Manson, estupefato pelo que viu, encomendou ao diretor o vídeo-clipe de "Antichrist Superstar", que arrebanhou prêmios em festivais de cinema. Rozz Williams, o falecido vocalista de bandas como Christian Death e Shadow Project, filmou o curta Porco (2001) com uma proposta relativamente parecida com a de Merhige, num contexto sadomasoquista e surreal. Mas nada se compara ao convite feito pelo ator Nicolas Cage, responsável pela Saturn Films, para que dirigisse um dos filmes de vampiro mais inteligentes das últimas décadas: A Sombra do Vampiro, uma homenagem ao clássico mudo Nosferatu – Uma Sinfonia do Horror (1922).

Nos últimos anos, E. Elias Merhige dirigiu peças teatrais, ministrou cursos de estética em instituições de ensino superior e envolveu-se com a produção de Suspect Zero, cuja produção acaba de ser finalizada. Trata-se dum suspense sobre um psicopata com preferência por matar assassinos seriais. Não que – pelas poucas informações já divulgadas – devamos esperar outra obra inesquecível, mas não custa mantermo-nos atentos ao trabalho do responsável por um dos mais doentios e inovadores filmes jamais realizados.

Trailer

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2 comentários:

  1. Anônimo disse...

    AHHHHH AHAHHHHHH, ESSE FILME MALDITO,AHHHHH NÃÃÃÃOO, ARRUINOU MINHA MENTE.

  2. J. Tanatos disse...

    Saudações;

    O filme é sensacional, realmente um dos meus favoritos.
    Acredito até que eu o tenha visto a primeira vez pelo seu blog msm, assim como tantos outros.

    Seu blog é belíssimo, fez um grande trabalho aqui; há tempos que frequento, mas ainda não havia comentado.

    Parabéns pelo bom trabalho, deve ser uma equipe interessante.


    J.T.

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